Pegadas...



"Listen to the sound from deep within
It's only beginning to [re]find release"
Listen, Beyonce



Descobri este meu comentário num famoso site social e maravilhei-me. Ele é um pedaço daquilo que eu esqueci. De um "eu" que se foi ofuscando face às sinuosidades de um caminho percorrido com uma irreconhecível descrença. Depois dele, reescrevi a descrição de mim próprio pedida pelo tal site. E esta é uma das vezes em que me silenciarei em pormenores para que nas tais entrelinhas cada um leia o que a sua mente e o seu coração quiserem. Porque esse espaço de interpretação é um espaço de liberdade, algo que tanto me fez, e faz ainda, falta.



Comentário:

A.: "Por vezes construímos castelos de areia, castelos de sonhos até. Mas nem sempre esses castelos resistem a algumas tempestades... Mas não desisto."

Eu: "Sim, esses castelos são de areia. E não resistem às ondas do mar que os alcançam, aos ventos que lhes sopram ou às pessoas que passam sem cuidado ou com intenção. Esses castelos de areia são também castelos de sonhos e de realizações, são tudo o que vamos construindo pela vida fora. Tudo o resto é a própria vida, que nos põe à prova sob diversas formas. Quanto a nós, nós somos o que escolher-mos e lutar-mos. Se escolhermos ser vencedores, refazemos os castelos, os sonhos e partimos para mais realizações. Se escolhermos ser vencedores fazemos isso uma vida inteira: caímos vezes sem conta, mas levanta-mo-nos outras tantas vezes... Não desista mesmo! Foi um bocadinho longo mas pronto..."


Descrição:

"Até há bem pouco tempo haviam aqui palavras que se queriam verdadeiras face a uma realidade bem diferente...
Até há bem pouco tempo, eu prezava a mudança e ansiava sempre por ela. Porque mudança era sinónimo de novas opções, de novidade. E tudo isso era uma visão paradisíaca para mim.
Hoje, um punhado de tempo mais, eu respeito a mudança e reconheço que nem sempre ela nos trás aquilo que esperamos, mesmo que nos seja merecido. Reconheço que a abertura de novas portas implica o fechar de anteriores, mesmo quando não é essa a nossa maior vontade. Vontade essa que tantas vezes se manifesta fora de tempo.
Hoje, depois do sopro dos ventos da mudança, pouco ficou do que estava escrito. Mas muito mais se ergue. E erguerá. Para sempre. E dessa continuidade se faz vida...
Não me descrevo. Não cometo esse erro de novo. Há coisas que não devem ser ditas para que algo de secreto fique para nós. Para que algo nos preencha quando os olhares do mundo nos tentarem encher de vazio."



Gostaram?

5 comentários:

Fernanda! disse...

Hoje acho que pelo fato de star super emotiva, chorei ao te ler.


Bjos!

pedropina disse...

nunca te canses de construir eses castelos, ainda k o vento ou o mar os leve, ainda k alguem os pise, continua a construi-los, acredita e sê persistente! havera sempre alguem a pisar, ou por circunstancias da vida, do mar ou do vento...ainda assim nao desistas!

grd abraço

pinguim disse...

Claro que gostei e muito; os castelos de areia devem continuar sempre a poder ser construídos, depois de desmoronados pelo mar, ou mesmo por pegadas humanas; mas, devemos ao mesmo tempo, ir construindo os nossos mundos, ao abrigo dessas contingências, de forma a sermos cada vez mais nós...
Abraço.

Paulo disse...

gostei, claro que sim! que pergunta. lol e, afinal, há sempre, tem de haver sempre, alguma coisa que mantemos secreta. há quem faça apanágio de não ter segredos, mas há coisas tão nossas que não são passíveis de partilha, simplesmente porque não.
abraço

im disse...

Podemos sempre escolher se queremos vencer, voltar a erguer "castelos" mas o "castelo" reconstruido jamais será uma cópia do que se desmoronou...será sempre um novo castelo diferente do antigo...porque nós que o voltamos a erguer já não somos os mesmos...todas a quedas e reconstruções fazem com que se acumulem camadas novas sob nós! É crescer...

Adorei ler-te!

Beijos